Caso Gritzbach: Justiça de SP marca para junho júri de 3 PMs acusados de matar delator do PCC
20/02/2026
(Foto: Reprodução) Gritzbach: por que 3 investigações apuram ligaçao de delator com policiais e facções
A Justiça marcou para os dias 22, 23, 24, 25 e 26 de junho o julgamento dos três policiais militares acusados de participar do assassinato do empresário Vinicius Gritzbach em 2024 no aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo. O júri popular começará sempre às 10h no Fórum da cidade.
O tenente Fernando Genauro da Silva, o cabo Denis Antônio Martins e o soldado Ruan Silva Rodrigues respondem presos pelo homicídio de Gritzbach e do motorista de aplicativo Celso Novais. E também por duas tentativas de assassinato, já que duas pessoas ficaram feridas.
O empresário foi executado com tiros de fuzil após desembarcar. O motorista, que não conhecia Gritzbach, foi atingido por um disparo durante o ataque. As duas outras vítimas que sobreviveram também não tinham envolvimento algum com o alvo. Câmeras de segurança gravaram o crime.
Antes de ser executado, Gritzbach havia delatou ao Poder Judiciário um esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro envolvendo criminosos do Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Vermelho (CV) e policiais corruptos. Em troca, o empresário receberia o benefício da redução da sua pena caso fosse condenado por lavagem de dinheiro para as facções.
Quem mandou PMs matarem Gritzbach
Cabo Denis Martins e soldado Ruan Rodrigues são apontados como os atiradores que mataram Vinicius Gritzbach. Tenente Fernando Silva ajudou eles a fugir em carro, segundo a força-tarefa
Reprodução
De acordo com a acusação, feita pelo Ministério do Público (MP), Gritzbach foi jurado de morte depois da delação por traficantes ligados ao PCC e ao CV, Emilio Castilho, o "Cigarreira", e Diego Amaral, o "Didi". A investigação do caso foi feita pela Polícia Civil.
Além deles, o Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) apontou o envolvimento de Kauê Coelho, o "Jubi" _ele seguiu o empresário e deu informações aos executores sobre a chegada dele.
Cigarreira, Didi e Kauê também foram acusados pelo MP, mas num processo separado dos três PMs, por envolvimento no caso dos crimes contra Gritzbach e as demais pessoas no aeroporto. A Justiça também os tornou réus, mas não marcou o julgamento deles, que seguem foragidos e são procurados.
Por que Gritzbach foi morto
Vídeos mostram por diferentes ângulos execução de empresário no Aeroporto de Guarulhos
Segundo a Promotoria, os motivos para matar Gritzbach foram:
Gritzbach desfalcou financeiramente os bandidos que investiram dinheiro na compra de imóveis de luxo e na aquisição de criptomoedas;
era suspeito de ter mandado matar dois membros do PCC;
e ainda entregou à Justiça os integrantes das quadrilhas para quem lavava dinheiro.
Ainda segundo o MP, três policiais militares foram contratados para executar Gritzbach: o cabo Denis e o soldado Ruan foram os atiradores; o tenente Fernando dirigiu o carro usado na fuga deles.
Os PMs estão detidos preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital paulista.
O que diz a defesa dos PMs
Caso Gritzbach escancarou o envolvimento de policiais com facções
Arte/g1
“Vai ser um júri muito disputado. A controvérsia desse caso é de quem mandou matar: se foi o PCC ou banda podre da Polícia Civil de São Paulo”, disse ao g1 o advogado Claudio Dalledone Júnior, que atua na defesa dos três PMs ao lado dos advogados Renan Pacheco Canto, Mauro Ribas e Renan Lourenço.
Em 2025, a Justiça Militar havia condenado 11 policiais militares por fazer a segurança particular de Gritzbach. Os PMs Denis, Ruan e Fernando não foram acusados.
A condenação dos agentes da Polícia Militar foi pelos crimes de integrar uma organização criminosa e por falsidade ideológica, crimes militares ligados à escolta ilegal do empresário.
Vinicius Gritzbach
Reprodução/TV Globo
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Infográfico mostra áreas do corpo de Antônio Vinicius Gritzbach atingidas por tiros
g1